sábado, 18 de fevereiro de 2012


Onde você estava
quando aquele beijo
violento
me fez dançar?
Por onde você andava
quando tocou a música
que me secou
pela garganta?
Para onde você olhava
quando eu caído
pela pista escura
fazia passos cinzentos?
Você só sorria
Eu só sangrava
Nós dois éramos criminosos.
Onde estava tua sombra
quando me levantei
e olhei ao redor
da caixa de som?
Por onde iam teus olhos
quando eu me desfiz
do pouco
que restava de mim?
Para onde teu pés caminhavam
quando eu não me mexia
pois estava
totalmente em chamas?
Você só tocava
Eu só sentia
Nós dois continuávamos como criminosos.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012


Ele e ela descendo pela escada
ele e ela sentados no sofá da sala
ele e ela acordados de madrugada
ele e ela fumando uns cigarros
ele e ela contando os trocados
ele e ela se olhando no espelho
ele e ela já cansados
ele querendo ser ela
e ela nem queria nada.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012


Eu não vejo as horas, o tempo passando
eu já não escuto os segredos do mar
eu abri as portas do último andar
é sempre tarde quando chega a terça-feira
meus pés já não suportam mais o peso
toda poeira se concentra ao redor
por onde seguirá a margem daquele céu lilás?

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012


Sim, eu aceito o desafio
traga-me os leões e o mar
qualquer serpente do ar
e os vulcões a jorrar
mas não vou calar
nenhum som que rima
com a palavra que há.

sábado, 28 de janeiro de 2012


Duas estrelas na palma da mão
objetos de desejo espalhados no chão
acompanhem a furtiva rotação
não há nada no meu coração.

sábado, 7 de janeiro de 2012


Um pássaro negro sobrevoando a lagoa
dezenas de insetos andando em círculos
larvas nascendo de uma fruta caída
sombras se fazendo pela calçada
nenhuma novidade no papel timbrado
somente o calendário que virou a página.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011


Sombras nos arredores
nenhuma lama negra se fez tão densa assim
o que corta a carne em horas amargas
é o mesmo que aflige o fígado febril
não, não verei a luz amarela
assim como recuso a me distanciar dos urubus
passo por entre as cercas da vergonha
todo o lodo vil já me consumiu
agora é hora de celebrar a dor.