quarta-feira, 7 de junho de 2017


Eu pensei que me via por aí
Que as cores me cobriam
Que os sonhos eram meus
Que nenhuma nuvem me encarava
Eu imaginava o próximo respiro
Que todo o mar era verde
Que os pecados se dissolviam
Que a poeira nunca iria chegar
Eu achava que o dia era longo
Que a subida era situante
Que as horas sussurravam
Que o espinho adormecia
Então agora
Eu fico apenas olhando
Numa direção lunar
Eu fico apenas olhando
Por onde vou me deitar
Eu fico apenas olhando
Todos os sons do ar,

domingo, 4 de junho de 2017


Todo o silêncio depois da chuva
Carrega aquilo que escondi
Malas desarrumadas pelo chão
Uma garrafa de vinho
Meus bolsos todos vazios
A luz neon piscando
Da janela embaçada
Pela fumaça do último cigarro
As gotas seguem deslizando
Atingindo a calçada
Da rua vazia e solidária
O canto escuro do quarto
A sombra da cama desarrumada
Cortinas encardidas dançam
Pelo ar da noite
A lua rompendo a escuridão
Meu paletó desabotoado
Um comprimido para dor
Flores mortas no jarro de plástico
O livro marcado na página final.