segunda-feira, 18 de junho de 2018

quinta-feira, 14 de junho de 2018


Eu existo para que você saiba de mim
E mesmo assim aceito a solidão
Como um prêmio pela ilusão
Que se fez enquanto eu sonhava
Sonhos que eu mesmo inventei
Inventei para ti e para mim
Como forma de te amar sem dor
E minha existência se desfez
Quando teus olhos cheios de ar
Piscaram sem direção
E tentaram ver algo aquém
Que estava em ti mesmo
Dentro de mim.

sábado, 9 de junho de 2018


Samambaia e suas ramas escorrendo pelas paredes
E nossas roupas esparramadas pelo chão
O vento que entra pela janela entreaberta
Varre todo pó que se acumulou por anos
Enquanto ficávamos sentados no sofá de couro
Nada daquele sol que assombra as estantes
A cortina permanecia fechada como nossos olhos
Os livros vão se abrindo com seus segredos velados
Nossas mãos se encontram antes que o sereno chegasse em nós
Estrelas brincam de esconder por entre nuvens
Olhamo-nos uma última vez de costas para a parede
Todo mármore branco da cozinha está escorregadio
Os cactos que nasceram entre nós florescem devagar
Catalogaram todos os objetos pontiagudos
Tentamos uma vez mais não cairmos em nossas próprias armadilhas
Fechamos todas as portas com beijos matinais
Despedimos do velho mundo com uma aquarela febril.

sábado, 2 de junho de 2018


Não sei o que me toca
Quando acordo do lado de lá
Não há só uma saída
O outro lado da ponte levadiça
Você não vê o que me percorre
Não esteve perto o suficiente
Oceanos desertos de mim
Preenchem a tua boca
Universos rodando a o teu redor
E eu parado na esquina à esperar
Teus olhos de sombras escuras
Me consumo num suspirar
Qual de nós dois irá ceder
Antes do navio naufragar.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

quarta-feira, 16 de maio de 2018


Me guia pelo labirinto deserto
Flores de algodão pela manhã
Eu pulo pra dentro do espelho
Água gelada se esvai pelo mapa
Somos uma transição do vento
Terra vermelha arada de sol
Você subiu num balão de gás
Copa verde das árvores de agora
Arremesso meu olhar pro azul
Borboletas pousadas no muro
Nós no balanço do parque
O som leve do brotar da rosa
Tu num pronome impessoal
O sofá esperando na sala
Te levo cetins e lidocaína
O café amargo secou na xícara
Nos chamam outro dia
A porta aberta de chave trocada

quinta-feira, 12 de abril de 2018


Meus pés no chão
Piso frio e úmido
Pequenos sobressaltos
Um ou três pulos
Direção contrária
Paro e olho
É meu estomago
Seguindo outra direção
Língua que envolve
Molhada e sorrateira
Sabor de quero mais
Um minuto é pouco
Caminhos percorridos
Respiração acelerada
Meus olhos fechados
Não quero acordar
Minha pele pressionada
Calor e suor
Tremor e segurança
O tempo se despe
Corpos em uníssono
Quem é quem?
Me desaguo em ti
Pulso em calmaria