sábado, 18 de agosto de 2018


Discos e fitas esparramados
Vasos de plantas à regar
Saudades da chuva na janela
Papeis amassados e rasgados
A mancha no sofá antigo
Vontade de sentir o mar
Café esfriando na mesa
Vasilha vazia do gato
Lembranças do inverno
Roupas penduradas no varal
Livros cheios de orelha
Gosto do abraço apertado
Marca de batom no copo
Toalha sobre a cama desarrumada
Desejo de ver as estrelas
Fotos soltas dentro da caixa
Quadros empoeirados na parede
Porta aberta para alguém
Tentativas de amanhecer
É o que sobrou de mim

sexta-feira, 3 de agosto de 2018


Daqui de longe
O cego e a bailarina
Deixaram seus rastros
Do verão
E o quieto animal
Na esquina
A céu aberto
Via a armada chegar
Repleta de bandoleiros
Que se instalam
No Hotel Atlântico
Tentando curar
Sua solidão continental
Alguns gritam
Sou eu! Barkeley
E acenos e afagos
São dados a todos
Que já voltaram
A entrar nas suas canoas
E marolas vão deslizando
O nervo da noite
Revelando o anjo das ondas
Que com sua
Máquina do ser
Se faz lorde
E revela uma data
MMC é o juízo
Afinal.

terça-feira, 31 de julho de 2018


Simples como aquela onda que vem e bate
e te derruba na areia e não vemos a queda,
só sentimos o ar se deslocar
sem poder nos amparar e caímos rolando para trás
deixando tudo onde deveria ter estado antes de chegar a ti
e ter me entregado ao teu sorriso causador de todo meu sofrer,
mas agora que amarelaram os dentes,
toda sua boca não me encontra mais
deitado pelo chão me arrastando até o sofá para assistir
o que foi a desilusão da minha novela das sete em pleno verão
acordei, reescrevi meu papel depois de tantos tombos e joelhos esfolados
não vou mais servir de solidão para sua companhia
nem encontrar desculpas pra você
o vinho que bebi não vai mais me embriagar de vertigens de esperança
e meus óculos não estarão mais escuros pelo excesso de ilusão
só vou correr em uma direção contrária a tudo que é você
e vou me banhar nas águas do oceano que já fui eu.

sexta-feira, 20 de julho de 2018


Sério que você me amou
Mesmo com toda a dor
Que eu poderia lhe causar
E ainda assim você viu em mim
Aquele que poderia ser seu par
Era para você me deixar
Correr para o lado de lá
Seguir sem olhar para trás
Não acreditar em mim
Me abandonar no meu caos
Mas você não soube dizer não
Andou para dentro do vazio em mim
Procurou as lacunas do meu ser
Tentou me arrumar
Me segurar em pleno mar
Mas eu que era sem esperança
Que andava por entre as pedras
Não enxergava em nenhuma direção
Fiz você partir para longe do meu abismo
Para te salvar de mim.

terça-feira, 10 de julho de 2018


Desde que a ilusão se apossou da minha mente
Eu perdi toda a razão
Não sei pensar em algo que se feche em mim
Temporada aberta de caça aos vestígios de você
Que eu achei ter visto em mim
Mas era só mesmo a ilusão do coração
Cansado de sofrer perdas inevitáveis
Sem a dor do luto dos dias da semana
Projetando algo de mim em você
Que tentei refletir em vão
Para poder amar com febre
De uma doença que ninguém quer se curar

Se eu pudesse ficar
Mesmo na escuridão do fundo do mar
Ainda assim eu iria agradecer
Por poder estar em algum lugar
Entre os continentes que imaginei abraçar
E se eu for embora agora
Vou levar tudo que não pude carregar
Enquanto caminhava depressa
Atravessando as pradarias
Para me encontrar nu, despido do tu
E fico em círculo parado
Esperando por aquele momento liso
Onde toda nuvem vai me levar
Para onde meus pés sonharam alcançar
E meus olhos não conseguiram enxergar.

segunda-feira, 2 de julho de 2018


De dentro do ar nasce um poema
Que atravessa os oceanos
Chega até nossos ouvidos
Em forma de pulsação
Que gira nossos corpos
Para a mesma direção
E nos encontros da rotina
Marca nossos possíveis anos
Em que iremos dividir silêncios
E cantigas de sonhos bons.