quarta-feira, 6 de março de 2013


Era de um tempo que chovia
E hoje, tudo que quero está duro,
Empalidecido e morto
Nas escadas de silêncio que subi
Antes de abraçar a consciência das negações.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013


De quem nada saberá de mim
É aquele que tem a hora marcada
E que me vê pelo reflexo
Das lentes do seu próprio bem estar

De quem algo irá saber de mim
É aquele que desceu pela escada
E me viu abrindo a porta
Sem perguntar nada a mais

De quem saberá tudo sobre mim
É aquele que rasgou a carta
E me viu de costas para a sala
E chorou junto ao ir embora

sábado, 16 de fevereiro de 2013


Ontem eu reli tuas doces palavras de sabor azedo
Ontem eu olhei nossas fotos coloridas todas vazias
Ontem eu voltei no tempo e não vi mais o passado
Ontem eu senti uma brisa que no final me queimou

Hoje eu olhei pro céu e ainda haviam nuvens de algodão
Hoje eu escutei os livros procurando pelas minhas palavras
Hoje eu plantei uma semente em terra ainda seca
Hoje eu vivi os sabores do alimento da minha alma

Amanhã eu nem vou lembrar das flores que murcharam
Amanhã eu vou desenhar um arco-íris com as minhas cores
Amanhã eu deitarei no jardim que plantei em mim
Amanhã eu vou olhar pra mim e não me recordar de quem era

sábado, 2 de fevereiro de 2013


Na minha sala de estantes vazias
E corações expostos, dançam todos ao luar
E as correntes que me prendem
Estão lá para todos poderem admirar
Nenhum barco afundado no horizonte
Veio aqui tentando me resgatar
E nem peço mais a Deus que seja clemente
Pois no mundo já perdi o meu lugar.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013


Tudo pode acontecer quando estou eu e você
Cada qual em seu canto e nada se perceberá
Mas é nos darmos as mãos e o mundo acabará
É seu calor que engole a calota polar
É meu trovão que afasta as águas do mar
Somos nós contaminado tudo que há
Ardendo o céu e as estrelas a guiar
E quando acordamos não temos a dor
Pois o que fazemos é só amor
Seja aqui ou onde for
O meu coração eu lhe dou
E os teus olhos iluminam o que sou
Nos percamos dentro do nosso amor
E vamos pra onde o mundo findou
Dentro de nós

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013


Estou com minha alma raspando as pedras
Perfurando as cicatrizes que me corroem
Fazendo arremedos de mim mesmo
Para jogar-me ao mar de madrugada
E no entanto nada faz sentido ao parar
E olhar dentro de mim sem nada encontrar
Para onde tudo se esvaiu sem que percebesse
Sem que eu ao menos me importasse
Sem que ao menos alguém notasse
Que ficou um buraco cheio de solidão
E nem a desilusão soube preencher.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013


Eu nunca disse que a janela se abriria pro mar
Que o vento poderia levar todas as dificuldades
Que a maresia não iria corroer o que há em nós
Que o mundo iria rodar e nos fazer encontrar
Ou que o balanço dos oceanos poderia nos embalar
Somente disse que te daria a espuma das ondas
Para que com elas fizéssemos nossos lençóis
E que a brisa entoaria a canção sobre nosso amor
E que pegaria tua mão e pularia nas águas turvas
E faria da minha respiração a tua respiração
E que não importassem as pedras pelo caminho
Nossos sonhos são para serem construídos solidamente
E não importa a tempestade que possa fazer
Será sempre com você que quero estar.