domingo, 3 de agosto de 2014


São dois olhos e a eternidade
é um rio e nenhum peixe
são várias montanhas e nenhum passo
é um rosto e um vazio.
São cinco sentidos e nenhuma alma
é um sol e um afogamento
são três estrelas e uma janela
é uma cama e todas as cápsulas.
São todos e uma perda
é um buraco e um verme
são mil sons e um eco
é um fim e ponto final.

terça-feira, 22 de julho de 2014


Eu não sabia que o fim era assim
Sinfonia sem sol em dó
Com o vento batendo na janela
O café frio na xícara de porcelana
E as abelhas voando baixo
Por sobre as flores de plástico
Eu não sabia que tudo terminava assim
Sobre um veludo dourado puído
Por entre as janelas fechadas
Sem cor e a brisa da manhã
E os pássaros cantando
A canção da que ninguém canta
Eu não sabia que a escuridão era assim
Tão redonda e vermelha
Com as lagartas enclausuradas
As estrelas mergulhando no oceano
E um cão latindo ao longe
Como se chamasse sua guia perdida.

sábado, 31 de maio de 2014


Aquele homem morreu
Para mim
Que sou cheio de defeitos
Ele era eu.
Tanto que ele nem me reconheceu
Mesmo diante
Do espelho que se deu.
Pro meu espanto
Tudo somente aconteceu
Quando ele e eu
Não éramos mais
Somente ele e eu.

segunda-feira, 26 de maio de 2014


Não há reflexo no espelho
nem olhos que enxerguem
para onde vão meus sonhos

O poema do óbvio
se instala em meus pulmões
preenchendo-o de algodão

Mãos de garra fria
arrepiam toda a flor
quando tocam suavemente
todo o teu torpor

Turva a acre neblina
depois de tantos arrepios
sussurram de longe
e me deixa febril.

sábado, 25 de janeiro de 2014


Uma lembrança alugada
uma porta destravada
um chaveiro quebrado
uma lágrima na madrugada
uma rua a ser atravessada
eu descalço na calçada
um pedaço de torta mofada
milhões de luzes apagadas
uma casa abandonada
uma vela queimada
uma camisa rasgada
eu sem ter as mãos lavadas
um copo de cachaça
ura risada acabada
um afago por nada
uma pequena jogada
eu e a vidraça quebrada.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013


Meu universo umbigo
preso por tantos castigos
queima aos poucos
restando somente a dor,
uma parte de um mundo
onde há luz branca amarelada
e meus olhos somente
sem enxergar quase nada,
não há trevas escuras
somente sombras etéreas
pelos caminhos já pisados,
e o teu bramir a me acordar
fazendo o vento entrar
na armadura empoeirada.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013


E quando a noite cai
Meus olhos se calam
Perante seu rosto sonhador
Um sonho se revela
Na madrugada flamejante
Debaixo dos travesseiros
Acordo cercado de medo
O sol ainda não nasceu
Eu abraço teu corpo
Para sentir o tempo pousar.