quinta-feira, 8 de março de 2018


Gosto da tua boca, colada na minha
Gosto dos teus olhos, que não fogem dos meus
Amo os teus braços, sempre tão gentis
Amo tuas coxas, que se entrelaçam bem
Gosto do teu cheiro, que me faz um vai e vem
Gosto do teu sorriso, que me faz chorar
Amo tua barba, que roça meu pescoço
Amo tuas nádegas, que preencho tão bem
Gosto de tuas mãos, que me tocam o céu
Gosto do teu peito, que me faz sonhar
Amo teu respirar, que me sorve sem parar
Amo o teu gozo, que me permite relaxar.

Quero atravessar seu olhar
Abrir as porteiras e entrar
E se não te encontrar
Vou correr por todos os lugares
Não me importo onde estará
É lá que vou chegar
E nada irá ficar parado
Diante de nós
Quero poder te ter
Em meus braços machucados
E se as feridas não cicatrizarem
Não me importará
Pois abrirei meu peito
E te colocarei dentro
Para te proteger
E te confortar
Quero entrar dentro de ti
Ser os poros de tua pele
Te deixar rígido
Fazer de ti uma lagoa
Mergulhar no teu poço
Beber de ti
Te preencher de mim
E no final do dia
Poder te refletir em mim.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018


Uma simples troca de mensagem
Talvez você me ignore
Posso até depois te bloquear
Qualquer coisa pode acontecer
Nada demais, possibilidades possíveis
Então vamos lá
E foi assim que aconteceu, você e eu
Uma troca de mensagem
Parecia nada a ver
Mas depois foi só nos ver
Não foi só um encontro entre nossas bocas,
Nossos peitos, nossos pênis,
Foi o encontro de nossas mentes
E minha mente se perdeu no sorriso dos olhos teus
E eu te engoli, te coloquei pra dentro
Pra me fazer pulsar
Pra me fazer vibrar
Você me deixa mole, me deixa duro
Me faz pirar
Me deixa sem respirar
E tudo que eu quero é você aqui
Pra proteger, aquecer, devorar
Todo dia com você é sol e lua
É a beira do mar
É orvalho que cai
É um convite pra gente deitar
E a distância é o silencio que não há
Daqui ouço teu respirar
Não consigo deixar de pensar
Quando vamos nos permitir amar?

domingo, 11 de fevereiro de 2018


Há de sentir o peso dos mortos
Em cada pedra que falta
No silêncio
No barulho do vento
Em cada grama que cresce
Há de sentir o peso dos mortos
Sobre os nossos ossos
Debaixo de cada céu
Dentro de cada árvore
Há de sentir o peso dos mortos
Onde não há mais peso algum
Só a culpa e vergonha
Há de sentir o peso dos mortos
Pois também estamos mortos.

Do que se faz o tempo
Tempo presente, sobrevivo
Tempo ausente, me esqueço
Ou me recordo
Daquilo eu esqueci
Tempo futuro, não há tempo
Estamos sós
Sobre o tempo
Sobre o mundo
Sobre o tudo e o nada
O tempo passa
Ultrapassemos o tempo
O tempo para
Quando não há nenhum vento
O tempo não se perde
Mas nos perdemos no tempo
Para nunca mais
A gente se desfaz no tempo
Mas o tempo
O que é o tempo
Acabou-se o tempo.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018


Já não cabia mais em minhas mãos
a ironia do dia a dia,
então as guardei no bolso de trás
da desbotada calça jeans,
junto com alguns pedaços
do meu coração

terça-feira, 2 de janeiro de 2018


Que o céu caia sobre mim
E atravesse meu corpo antissocial
Rasgue minhas vestes vermelhas
Quebre meu salto mais alto
Borre toda minha maquiagem
Rache minhas unhas de porcelana
Queime minha peruca azul
Arranque minhas entranhas
Destrua tudo que achar sobre mim
Mas não vai me tirar minha resistência.