segunda-feira, 31 de janeiro de 2011


Eu não sou teu amigo
porque ainda vejo nuvens no céu
eu não sou teu amigo
porque a noite ainda não chegou
eu não sou teu amigo
porque as estrelas já descansaram
eu não sou teu amigo
porque tudo ainda é demais
e nada há de fazer isso mudar
não adianta nem em sonho tentar
porque nada há de brotar
não tente nem soltar sua vela no meu mar
porque estarei escondido de ti
e nem com o sol poderá me encontrar.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011


Eu guardei toda minha fortuna
no teu sorriso de flor de lis
pra poder ver a todo momento
pele de cetim debaixo de vestes
madeixas de orvalho matinal
força que maltrata meu coração
deixa que teus deuses me levem aos céus
força-me com teu olhar dionisíaco
me corrompe em pleno ar
me deixa sem mapa
me enche de palavras
me faz emudecer na sua frente
me mata com um suspiro.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011


Eu vi uma arma no espelho
e fogo por todos os lados
o dia nascendo no meio da noite
você e eu aqui no chão
amarrados em cacos de vidro
colidindo com nossas imagens
distorcidas num lago de cristal
paramos a máquina de sal
um salto e estamos no precipício da ilusão
deixamos a chama ficar amarela
agora chegou a escuridão.

domingo, 16 de janeiro de 2011


Entorpeço fácil com sua aproximação
o calor do teu corpo invade o meu
corro da tentação em vão, já estou capturado
estendido para o seu bel prazer estou
estático, sem saber o que fazer
um único ruído e tudo vai a perder
o universo começa a tremer
dá-me um doce beijo e permita-me partir
não direi palavra alguma mais
cerrarei meus olhos ardentes
e te libertarei da minha ilusão.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010



Árvores de plástico fecham meu caminho
com galhos de dor e paixão
e minha visão só vê o mar se distanciar
ficar cada vez mais negro e sem sal.

Onde se vão meus dedos quebrados?
Nos bolsos eles não cabem mais
e os anéis se foram em outras mãos.

Perdido numa multidão errante
todos seguem o mesmo caminho
as ruas estão na contra-mão
sinais de transito sempre verdes.

A noite está sempre em claro
mas os olhos se cerram em vão
Morfeu cansou de jogos de azar.

Cortar os pés de todos como solução
caminhar deixou de ser opção
só restou o precipício como salvação.

Tire a foto da parede
deixe somente o contorno branco
deite no sofá, pegue um cobertor
espere o calor voltar a entrar pela janela
deixe que o tempo passe
não seja tolo pra olhar ao redor
os instrumentos já se calaram
as rosas ainda estão no jarro
as pétalas estão sobre a mesa
as mãos estão em oração
e as lágrimas estão com remoço.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010


Nada passa tão rápido
cada segundo conta
cada curva é necessária
pontos e pedras constroem caminhos
o tempo se torna aliado
permanece em meus bolsos
pulsando junto ao meu olhar
os horizontes se abrem
neblinas se dissipam
astro brilhante sobre meus ombros
estou nu diante de mim
só falta agora tirar o valete
e o jogo irá começar.