sábado, 28 de novembro de 2015


Minha poesia é dura, seca
não faz espuma
causa rachaduras.
Não anda em bando
não preenche página de livro
faz a dor do papel branco.
Minha poesia não é altruísta
não fala nada pra você
ela é muda, egoísta e bela.
Não se faz em linhas pautadas
se arma no concreto das calçadas
e destrói meus sonhos.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015


Um tiro, uma vírgula
Um cano, uma incógnita
Uma arma, minha mão suada
Uma vida, um espaço em branco
Nenhuma sombra paralela
Nenhum olhar em sua direção
Duas porções de moedas
Vago corpo deitado no chão.

terça-feira, 28 de julho de 2015


Nossos corpos explodem em satélites
Ao cruzar a noite ardente
Somente escapamos do abismo
Por uma noite e nada mais

Abrem-se os oceanos verdes
E os colares das cerimonias
Nadam até o fundo sem salvação

À noite nos chama e nos encobre
Vultos perambulam nos desfiladeiros
Empurramo-nos sem sorte
Flamulas flutuam e nos acaricia a face

Nenhum brilho nos cega
Nossas pupilas já se dilataram
Antes que o sol enfurecesse

E as nuvens se dissipam
Por entre pegajosos pássaros
Voando sobre nossas cabeças

Todas as chagas que nos corroíam
Agora perfumam nossas róseas gônadas
E nada brotará no vale
Pois não se faz no vale nossos desejos.

sábado, 11 de julho de 2015


Há tanta coisa pra lembrar
Enquanto a vitrola roda
Mas tudo ainda é nuvem
E o som dos búzios avisam
Não vá andar devagar
Pois a flor tem de regar
Antes que a noite chegue
E o mundo vá descansar.
Quarta-feira está aí
E o sol está a raiar
E aquele quadro pra pintar
Invade a saudade
Dos seus pensamentos
Que inventam poesias de ar
Só pra desafinar o som
De um leve suspirar.

sexta-feira, 3 de julho de 2015


Não existe lado certo na montanha
a queda se dá pra qualquer lugar
as pedras rolam e rolam e rolam
o cume é muito longe pra se alcançar
quem vai parar a avalanche que há
fazer a tortuosa trilha exposta
esconder os rastros rotos
abrir clareira funda
e sofrer a erosão que se dá.

domingo, 28 de junho de 2015


É tanta água, é tanto mar
pra tanta pressa de chegar
as ondas batendo, empurrando
uma hora me afogo, sem voltar
só as estrelas do mar à brilhar
É tanta nuvem, é tanto céu
pra imaginação viajar
cavalos, crianças e pássaros
uma hora eu fecho os olhos
deixo todas passar
É tanta poeira, tanto chão
pra meus pés caminhar
os carros andando, faróis a latejar
uma hora eu tropeço
as placas vão me direcionar
É tanta chuva que molha a terra
É tanto vidro pra guardar meu ar

sábado, 31 de janeiro de 2015


As vezes é correto atravessar os trilhos do trem
As vezes é melhor descer na próxima estação
As vezes é bom ficar debaixo da chuva torrencial
As vezes o bom é ter um cobertor quentinho
As vezes temos de olhar pelas frestas da vida
As vezes temos de deixar os olhos no branco
As vezes temos de criar raízes sólidas
As vezes cultivamos uma dúvida eterna
As vezes o chão a se pisar deve ser de pedra
As vezes devemos nos cortar com cacos de vidro
As vezes é preciso deixar as feridas cicatrizarem
Sempre é necessário deixar a porta aberta