sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011


Seu olhar sobre o meu
sonho de Ícaro
uma maneira tão frágil de se mostrar
nada mais importará
somente seus olhos a me observar

Seus braços em volta de mim
o calor de mil sóis
uma maneira de se reconfortar
nada mais nos atingirá
nossa pele a queimar

Seu corpo em contato com o meu
paisagens para visitar
uma maneira de me encontrar
nada mais afundará no mar
somente o vento a nos contornar

Suas coxas entreabertas
epopeia do fantástico
uma maneira de se revelar
nada mais do céu cairá
pois você se fez meu altar

Seu coração junto ao meu
dança afrodisíaca em nós
uma maneira de se imortalizar
nada mais a nos segurar
somente flores para lhe entregar

domingo, 13 de fevereiro de 2011



Um gancho em minhas costas
dez reais é o quilo da carne
a faca cega
onde dói o corte?
Mãos que passam levam ao pó
paralisado em plena pulsação
não há madeira
jaz se fez tua vocação.
Fica com tua morada de ilusão
que assim não teces mais sofreguidão
enganas somente minha mão
devorando meu colchão.
Ainda afirmas que és capaz
mas desdém dos espelhos
refletindo sempre a mesma
interjeição.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011


Olho de peixe morto pendurado no anzol
fruta que seca e mata toda dor do sol
realinhar o vermelho antes da noite à chegar
almas penosas que sangram ao verem o mar
muralha de sal para que se possa escalar
vertigem de flor que gira sem me tocar
morte de anjos que caem sobre o altar
nada que passa por aqui me fazem tirar
os olhos cansados que miram em ti.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011


Eu não sou teu amigo
porque ainda vejo nuvens no céu
eu não sou teu amigo
porque a noite ainda não chegou
eu não sou teu amigo
porque as estrelas já descansaram
eu não sou teu amigo
porque tudo ainda é demais
e nada há de fazer isso mudar
não adianta nem em sonho tentar
porque nada há de brotar
não tente nem soltar sua vela no meu mar
porque estarei escondido de ti
e nem com o sol poderá me encontrar.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011


Eu guardei toda minha fortuna
no teu sorriso de flor de lis
pra poder ver a todo momento
pele de cetim debaixo de vestes
madeixas de orvalho matinal
força que maltrata meu coração
deixa que teus deuses me levem aos céus
força-me com teu olhar dionisíaco
me corrompe em pleno ar
me deixa sem mapa
me enche de palavras
me faz emudecer na sua frente
me mata com um suspiro.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011


Eu vi uma arma no espelho
e fogo por todos os lados
o dia nascendo no meio da noite
você e eu aqui no chão
amarrados em cacos de vidro
colidindo com nossas imagens
distorcidas num lago de cristal
paramos a máquina de sal
um salto e estamos no precipício da ilusão
deixamos a chama ficar amarela
agora chegou a escuridão.

domingo, 16 de janeiro de 2011


Entorpeço fácil com sua aproximação
o calor do teu corpo invade o meu
corro da tentação em vão, já estou capturado
estendido para o seu bel prazer estou
estático, sem saber o que fazer
um único ruído e tudo vai a perder
o universo começa a tremer
dá-me um doce beijo e permita-me partir
não direi palavra alguma mais
cerrarei meus olhos ardentes
e te libertarei da minha ilusão.