quarta-feira, 11 de maio de 2011


Fica mais um instante
espera o gelo derreter
não me olhe por cima do ombro
há muito que perdi os sinais
a areia desce pela ampulheta
cega todos meus ais
a faca já não corta mais
mas permaneça
só mais uns minutos
quero lhe mostrar meu sol
vou trazer um espelho
e torcer para que você ainda tenha sangue.

sábado, 7 de maio de 2011


Cansei de caminhar pelos becos da cidade
vagando em busca de trocados e saliva
luz fraca que ilumina os calos dos meus pés
vou até onde o mar morre na beira
deixarei que ele me leve de volta pro fundo
mas confesso
é do calor dos teus braços que desejo
junto a um bom copo de whisky
sirva-me com o suor do teu corpo primaveril
faça de mim teu boneco de prazer carnal
me prometa amor eterno no final
mas me deixe a ilusão de que somos um casal.

terça-feira, 3 de maio de 2011


Mistérios colados em nossos olhos
luz e segredos estampados no cetim
nasce uma flor de pétalas azuis
peles ofegantes sob o céu de abril
pulsante vermelho enlouquecido
troca de óleos e pelos pueris
peso sobre peso
dorme sobre sonhos brancos
vinde sol dourado iluminar o mel
abracemos o altar do amanhã.

sábado, 23 de abril de 2011


E meus medos de onde vêm?
do interno eu, onde caminham sombras de sal
queimando tudo que tocam
limpando o chão pros vermes da verdade
larvas de solidão abandonada
cessam meus sentimentos avulsos
já não sou dono de nada mais
perdeu-se tudo no caminho que planejei
o certo e o errado eram um só
e só restou a noite me olhando.

terça-feira, 12 de abril de 2011


Não te amarei somente uma noite
meu amor não é tão grande assim
não estou pronto para ver estrelas
sigo somente o movimento do teu corpo
desejo apenas os espaços vagos
minhas mãos não querem segurar nada
deixa tudo ser água e vapor
o verão ainda não chegou
é só minha alma encarando o abismo.

sexta-feira, 8 de abril de 2011


Não consigo escrever
nada sai de mim
será tanta dor assim
o que me impede agora
era o que impulsionava antes
mas não me sinto mal
mas calou meus dedos
esse incomodo aflora
e lá fora não vejo a flor
mas há um pedaço de madeira
com um nome gravado
mas os cupins o comeram
e já perdi a memória
talvez por isso nada me corrói
talvez por isso não se revela nada mais
ou tudo já me foi revelado
e já seja invisível agora
mas eu continuo com a folha em branco
e a falta de tinta nas veias.

domingo, 3 de abril de 2011


Antes de apertar o gatilho
escute mais um samba de dor
daqueles em que a rosa não se abre em flor
que só os bandidos conhecem o amor
onde o sol queima a pele
e a chuva e a neve não atrapalham o dia
então depois de rever o último beijo
decida se não é melhor esperar o carnaval
antes de dizer que vai embora.