sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Fomos o que podíamos ser
Um copo de vinho barato no bar
Alguns trocados na porta da igreja
Um pouco de terra batida molhada
A sombra na parede banhada pela esquina
Algo tentava nos impulsionar a sermos mais
A ponte deitada sob o sol da manhã
Os livros escondidos na estante da biblioteca
A vontade da carne rasgada pelo gancho
As flores que não se abriam no outono
Mas as coisas as vezes vem em vão
Como a descida para o purgatório
As danças maliciosas no salão brilhante
Os tacos soltos que tropeçamos no quarto
A lua que se escondia nas nuvens de chuva
E ficou aquilo que permitimos
A ausência de nós nos dias pares
O olhar da janela para dentro da sala
O controle remoto sobre o sofá
A alegria do vagalume pelas tardes mornas.

terça-feira, 15 de outubro de 2019

É só você sair que me calo
Corto minha língua e passo sal
Engulo as malditas pétalas
Estranho estômago corroído
As pequenas ausências antigas
Sobre sobras da escuridão
Caminhando sem direção
Como lidar com os invernos
Perdidos entre nós
Animais sem cor
Onde vamos pôr o jantar
Se devoramos a solidão
E a hora de despedir
Passou pela ponte e se jogou
Nem quis olhar para trás
Agora é noite sem fim
Por aí e por aqui
E o tempo deixou tudo para lá.

domingo, 29 de setembro de 2019

Da despedida voltei
Com olhos para o mar
Na garganta carreguei
Todas as vozes que ouvi
Do adeus a você
E um par de asas
Nasceu ao dar de costas
Da parte que levou de mim
O caminho iluminado
Das pedras se livrou
Agora são só as cartas
Rasgadas pelo chão
Os lençóis para dobrar
A televisão ligada
No canal que não assisto
A porta da frente fechada
A campainha estragada
As caixas foram abertas
Dos presentes ausentes
Onde estão meus versos
Algum novo livro há de chegar.
Assim que nascer uma nova canção
E meus ouvidos tocar
O amanhã vai aparecer.

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Enquanto eu vagueio
Meu coração anda vago
Minhas pernas não bambeiam
Mas minhas mãos seguram água
Mas se nada cruzar o caminho
Vou trocar o meu signo
E viajar de madrugada
Tatear o sol e a lua
Esquecer da hora errada
Para ver se algum você se anuncia
A chegada mesmo atrasada
E fazemos a madrugada
Livre do não querer nada

domingo, 15 de setembro de 2019

Sou tipo João Bobo
Apanho e volto
Volto a apanhar
No vai e vem
Uma hora se fura
E tudo se esvai
Coloca-se um band-aid
As vezes dois ou mais
Me desconfiguro
Não seguro mais todo o ar
Tento, mas preciso respirar
Então me deito
Espero passar
Passa as vezes devagar
Mas volto a levantar
E aquela emoção
Que me faz rodopiar
Fico esperando voltar.

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Em qual direção te encontro dormindo
Queria estar ao seu lado distraído
Esperando as folhas caírem das árvores
A luz entrando pela janela para te despertar
Sorria ao se levantar e no caminhar
Vamos, vai ser de manhã para sempre
Na nossa imaginação pueril
A tarde vai demorar a chegar
Vamos rodar o mundo nesse girar
Nossos pés indo até onde queremos chegar
Guarde o tempo de valer a memória
Dos sonhos e histórias que vá contar
Guarde o que precisar guardar
De você, do amor, de um outro lugar
Vá por ali, navegar no mesmo mar
Que me encontrou no inverno passado
E eu vou nas entrelinhas do meio-dia
Em melodias para te alcançar
Longe das turbulências do mar.

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Vendo poesias
De cartas rasgadas pela dor
De mergulhos pra te afogar
De palavras pra dilacerar sua alma
Carregadas com o cheiro do brejo
Com frases que apertam seu pescoço
Feitas da mais pura verdade
Que me permite morrer em paz.