sábado, 15 de junho de 2013


E era uma história como outra
Com seu tempo caminhando
Com os olhos de lágrimas
Com a boca sedenta e tremula
Com as mãos cheias de medo
Com o coração em flor
E as sombras rondando
Mas o sol mesmo por entre nuvens
Brilhava sem pestanejar
E nossos corpos endureciam
E nossas vozes começavam a serem ouvidas
E tudo ia se entrelaçando
Até que tudo houvesse transformado
E a escuridão já nos olhasse ao longe
Pela janela embaçada
Amedrontada pelos nossos olhos
Que olhavam pro mesmo lugar.

segunda-feira, 20 de maio de 2013


A lua flutua no horizonte perdida do mar
Eu fecho os olhos para nada escutar
E nenhuma palavra na seca do sorrir
Vem se levantar para me cobrir.
As areias do tempo repousam desleixadas
Eu abro os olhos tentando me afogar nas lágrimas
Todas as palavras já se foram as cegas
E só me sobraram às cartas abertas.
O sol se colocou atrás dos montes
E meus olhos cegaram para que eu me alcançasse
As palavras não lidas são as verdadeiras
No meio de tantos enfermos vocábulos
Que pronunciaram aos meus ouvidos inchados.

sexta-feira, 19 de abril de 2013


Eu só queria alguém para poder conversar
Alguém que entendesse o que passei
Alguém que me olhasse sem julgar
Que me desse a mão sem a erguer
Que quebrasse minhas lágrimas
Que se importasse em como me sinto
Que caminhasse comigo pela nova estrada
Estrada essa com mais pedras que a antiga
Que visse em mim ainda o que eu tinha antes
Que percebesse que nada mudou dentro de mim
Que somente o dia havia raiado em mim
E antes eu era só um ser incompleto
Mas muitos só me mostraram as costas
Só me deram pedras e frio da rua
Muitos só me encheram com seu ódio
Muitos não olharam mais para dentro de mim
Mas mesmo assim eu sobrevivi
Porque as lágrimas aplacaram minha sede
As dores me alimentaram o corpo
E o amor que não compreenderam
Este me encheu a alma.

Sozinho a te procurar
Desta vez tu não passarás
Desapercebido de mim
E os meus/teus lábios
Vão tocar o amor
Vou chegar e te segurar
Nunca mais vou lhe deixar
Mas se nada disso adiantar
Vou fingir que comigo estás
E belos poemas te falar
Para que algum possa te achar
E convença a ti do meu amar.

segunda-feira, 15 de abril de 2013


Não é que me desfiz em pedaços
E ainda assim, cada pedaço sentiu a luz
Do caminho delicados de teus olhos.
Não é que eu estava dormente
E mesmo assim, meu corpo sentiu o calor
Da sua verdadeira suave voz.
Não é que eu fiquei petrificado
E não obstante meu vermelho músculo
Bateu forte ao sentir teu doce veneno.
Não é que eu havia adormecido eternamente
E por fim meus olhos lacrimejaram
Com o carinhoso tocar da tua alma.

quarta-feira, 6 de março de 2013


Era de um tempo que chovia
E hoje, tudo que quero está duro,
Empalidecido e morto
Nas escadas de silêncio que subi
Antes de abraçar a consciência das negações.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013


De quem nada saberá de mim
É aquele que tem a hora marcada
E que me vê pelo reflexo
Das lentes do seu próprio bem estar

De quem algo irá saber de mim
É aquele que desceu pela escada
E me viu abrindo a porta
Sem perguntar nada a mais

De quem saberá tudo sobre mim
É aquele que rasgou a carta
E me viu de costas para a sala
E chorou junto ao ir embora