sexta-feira, 24 de setembro de 2010


Mas é que eu vou falar
mas é pra ninguém escutar
as frases e orações serão só minhas
não é pra mais ninguém
então não preste atenção
vá pela contra mão
abuse das flores no jardim
mas tire os olhos de mim
é que me senti poeta hoje
até quis me dividir
mas me bateu um rompante
e por hora fiquei aqui
então numa nota só
nasceu e morreu em mim
algumas sílabas soltas
num pedaço de carmim
que diziam a passos lentos
sobre o céu, o vento e o mar
e meu navio que afundava
em pleno solo a gritar
e do cinza dos dias
brotou ali assim
como uma piada de sombras
uma palavra sem fim
virou quase um poema
se não fosse um dilema
terá nascido de mim?
agora o sol já se vai lá fora
mas ainda pulsa algo aqui
e me fere a alma esquálida
trocando toda a metáfora
saindo assim de mim
era esse meu medo
que tudo fosse embora enfim
e nada sobrasse pra ti.

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