terça-feira, 21 de novembro de 2017


Não me distraia com palavras tortas
Deu meia noite e tudo começa
Já se foram tantas bandeiras brancas
Só restou alguns momentos de não
Diz a verdade sobre o que escreve tua mão
Disfarce aqueles momentos suspensos
Há tantos cacos de vidro guardados
E o estranho do dia se apoderando
As horas se passaram e nem vimos
Já amanheceu e fomos dormir
Sem nenhum lençol amarelado
Acorda o dia que nossa noite chegou.

domingo, 12 de novembro de 2017


Sobre deuses e homens

Uns se perdem pelo caminho
Outros são forçados a andar com estranhos
Alguns acabam por se tornar ar
Nenhum mergulha na água salgada
Poucos olham para o dia de ontem
Muitos não observam as nuvens caminharem
Uns esperam a coisa certa acontecer
Outros estacionam os carros no mesmo lugar
Alguns rezam, mesmo sem saber contar
Nenhum diz ter comido a metade da maçã
Poucos sabem como abaixar a cabeça
Muitos são deuses do seu próprio altar
Eu só espero o momento de revisar.

sábado, 21 de outubro de 2017


Eu sou a cor amarela da dor
Aquele que amarga ao final
O que nunca termina o respirar
Aquele que fica do lado oposto
O que não sente as brisas
Eu sou o que falta em mim
Aquilo que não fica vivo
O que resta do olhar
Aquilo que procura se perder
O que caminha descalço
Eu sou o que não deveria ter sido

segunda-feira, 2 de outubro de 2017


Não há nenhum lugar para onde fugir
Aonde quer que vá, será sempre agridoce
Eles não vão te aprisionar em palavras
Nenhuma peça se encaixa dentro de ti
É preciso descobrir o que te faz um
Nenhum lar será teu até se perder
O espaço aberto não se precisa preencher
Só tem que se desenhar em múltiplas cores
Deixa o ar entrar em plenos pulmões
E sua casa vai nascer dentro de ti
O batom vermelho não vai secar
E todas as vestimentas poderá tirar
E só tua pele carregará quem és

segunda-feira, 25 de setembro de 2017


Procurei, sem nunca conseguir encontrar
Em nenhum deserto, em nenhum bar,
Aquele que eu pude um dia amar
Todos os outros já morreram no mar
Não há mais cheiro vagando pelo ar
A música na vitrola parou de tocar
E a vida em nuvem parou de rodopiar
Minha alma agora só quer descansar
Mas os letreiros de neon querem brilhar
E meus olhos não conseguem fechar
Minhas mãos tremem fazendo brotar
O líquido daquele louco amar
Que em flor da lápide fez nosso morar
E não me faz parar de sangrar
Enquanto sua boca não mais tocar

sexta-feira, 22 de setembro de 2017


Eu não vou querer ser flor de acácia
Onde não há deserto para regar
Onde o céu permanece escuro
Eu não vou tentar voar para longe
Enquanto os galhos forem cortados
Enquanto o sol insiste em cegar
Eu não vou conseguir parar de andar
Já que a noite insiste em ficar
Já que todos resolveram abortar
Eu não vou deixar de amar
A quem eu possa segurar nos braços
A quem eu possa ser dentro de ti
Eu não vou parar de sangrar
Para que se possa me olhar sem temor
Para que se possa me calar em dor

quarta-feira, 20 de setembro de 2017


As balas perdidas ferem a poesia do dia
As bocas ressecadas são mordidas pela violência
As mãos em prece seguram armas de preconceito
Os dentes brancos se sujam do vermelho escuro
Os jogos torcem pelas arquibancadas vazias
Os pés correm em gritaria pelas vielas marrons
As telas refletem os amores perdidos no estômago
O tempo retrocede com foguetes de inverdades
Os rostos não se enrubescem pelo ódio
Os olhos revirados miram para fora do transtorno
As crianças correm dos seus falos paternos
O coração insiste em petrificar tudo a sua volta
E vamos lutando contra todos os homens de bem