Estou cansado desse céu caindo
Água que afunda o homem morto
Nessa terra deserta de brincar
Sinto o vento empurrando
Minha cabeça contra o muro
Do branco que separa o lar
O ar tóxico asfixiando as salas
Invisíveis páginas de sangue
Sobre mesas de calcário frio
Sonhos que resistem o tempo
Bagunça do quarto intocável
O berço sem suas cobertas
Correntes velhas a nos saudar
Dos navios que balançam
E nos jogam para deitar no mar.
segunda-feira, 29 de outubro de 2018
sábado, 27 de outubro de 2018
Ah se o tempo pudesse voltar
Onde nenhum oceano tivesse secado
Onde nenhuma luz tivesse se apagado
Onde nenhum pássaro tivesse se silenciado
Ah se o tempo pudesse retroceder
Para que nos deixassem nos abraçarmos
Para que nos permitissem olhar um pro outro
Para que nos consentissem andarmos de mãos dadas
Ah se o tempo pudesse recuar
E eu ainda pudesse andar descalço
E eu ainda sentisse a suave brisa sobre mim
E eu ainda chorasse somente de alegria por todos nós
Onde nenhum oceano tivesse secado
Onde nenhuma luz tivesse se apagado
Onde nenhum pássaro tivesse se silenciado
Ah se o tempo pudesse retroceder
Para que nos deixassem nos abraçarmos
Para que nos permitissem olhar um pro outro
Para que nos consentissem andarmos de mãos dadas
Ah se o tempo pudesse recuar
E eu ainda pudesse andar descalço
E eu ainda sentisse a suave brisa sobre mim
E eu ainda chorasse somente de alegria por todos nós
quarta-feira, 10 de outubro de 2018
Eu serei a resistência
Aquela pedra na sua vitrine
Já suja de sangue coagulado
Meu sangue que queima
Eu serei aquele duro
Que não se enverga ao vento
Carregado de ar pútrido
Absorvido em seus pulmões
Eu serei o furacão
Que lhe incomodará
Arrancarei seu telhado de lodo
E lhe despirei da hipocrisia
Eu serei o náufrago
No meio do mangue
Inteiro e atento
A caçar os que andam pra trás
Eu serei teu peito
Quando precisares chorar
Pelos entes perdidos
Que não quis escutar
Eu serei a estrela
Que no dia mais escuro
Irá iluminar teu caminho
Mesmo tu estando afundado no mar.
Aquela pedra na sua vitrine
Já suja de sangue coagulado
Meu sangue que queima
Eu serei aquele duro
Que não se enverga ao vento
Carregado de ar pútrido
Absorvido em seus pulmões
Eu serei o furacão
Que lhe incomodará
Arrancarei seu telhado de lodo
E lhe despirei da hipocrisia
Eu serei o náufrago
No meio do mangue
Inteiro e atento
A caçar os que andam pra trás
Eu serei teu peito
Quando precisares chorar
Pelos entes perdidos
Que não quis escutar
Eu serei a estrela
Que no dia mais escuro
Irá iluminar teu caminho
Mesmo tu estando afundado no mar.
segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Eu sangrei pés e mãos
Eu me acorrentei numa prisão
Eu deitei pelo chão
Eu deixei de comer do pão
Eu permiti sua voz rouca
Eu segurei meu desespero
Eu fiquei com os olhos molhados
E você pisava nos tapetes
Dormia sobre os lençóis
Navegava pelas ilhas desertas
Se alimentava dos corvos
Ria das pálidas rosas vermelhas
Cortava as cores do arco íris
Gastava toda a madeira de lei
Pendurava as pedras no teu pescoço
Mas eu levantei meu peito
E numa só voz gritei
Eu sou o teu irmão
Mas você não é o meu.
sexta-feira, 21 de setembro de 2018

O tempo nada espera
Sou eu segurando o mar
Enquanto ele ria apressado
E me olhava distante no nada
E eu lembrando de mim
O tempo não para
Me afogo no que havia de bom
Enquanto ele dava de costas
E andava de patinete
E eu apagando os erros
O tempo rasga o céu
Me segura enquanto olho
E ele deita suavemente
Repousando a dor singela
E eu costurando o coração
O tempo dá adeus
Eu me sento de lado
E ele desabotoa o paletó
E me abre os braços
E nós poderíamos respirar mais.

Deitar é bom
É onde você escapa da solidão
É onde se esconde o coração
E onde você esquece da noite vazia
Fechar os olhos é bom
É ficar em pé na estação
É esquecer de pisar no chão
É onde não se espera nenhum segredo
Morrer é bom
É assim que saio da canção
É quando mudo de espelho
É a hora de saltar pelo salão
domingo, 16 de setembro de 2018

Escutei batidas na porta
Caminhei devagar até ela
Olhei pelo olho mágico
Era vontade de você
Em pé, parada, me esperando
Pedindo para entrar
E eu apavorado do outro lado
Com medo de me machucar
De expor nova ferida aberta
Mão trêmula na maçaneta
Um giro e tudo se faz
Deixar as cinzas e o fogo entrar
Cegar com toda luz dos olhos meus
Dançar entre pedras soltas
Pular os degraus mais altos
Largar o medo dentro da sala
Trancar-me do lado de fora
Viver uma velha nova canção
Permitir a agulha rodar
E me tocar com seu grave.
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