sábado, 11 de setembro de 2010


Estou sussurando por você

com seus braços fortes

venha, seduza-me

me jogue pra cima

faça com que minha pele queime.

Eu estou chamando por você

me atenda então

deslize pelo meu corpo

deite-me no chão

me tranque em seu peito.

Eu estou clamando por você

deixe-me andar dentro de ti

permita me ligar a você

abra-se para mim, vamos ser só um.

Eu estou gritando por você

ao te deixar em febre

unindo nossas peles

multiplicando nossos lábios

entoando uma única canção.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010


Não ultrapasse a faixa

há um limite para nós

uma linha mesmo fina

pode significar coisas demais.

O vento pode ser suave

mas traz mais do que o ar

esconde odores e névoas

que embriagam os temporais.

Não lance um olhar para trás

nem tente em sombras entrar

aquilo que foi dito já se revela

e iça todas as mentiras de eras.

Tange o sol por trás dos montes

e sua testa não se desfaz

tampouco seu coração roto

que não luta mais.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010


Hoje é quinta-feira e a noite já se foi,

nada sinto além do ar azedo do cais

publico frases de neon vermelho em minha alma

lentes de aumento pelo caminho para me enxergar.

Minhas mãos em carne putrefata insistem em segurar,

não deixar o sol se pôr, morrer ao mar.

E dói, mas não sangra, pois o pulsar ficou pra trás.

A ilusão tomou conta de toda luz

a verdade se refaz entre entraves

mas meus ais, estes vão em paz.

sábado, 28 de agosto de 2010


Ando livre dentro de minha jaula
aprisionei a mim mesmo para não me destruir
era só o arder que me consumia por dentro
mas nada modificava a paisagem fora de mim.
Sempre os mesmo cabelos esvoaçantes
sempre a mesma mão carinhosa
mas nunca o fogo se acendia em chamas altas
eram já cinzas antes do incêndio começar.
Então antes de tocar o solo para deitar-me
tingi-me de prata limpa e clara
pois talvez como um espelho andante
eu posso refletir a esperança cancerígena
que carrego por entre pulmões calcificados.

terça-feira, 17 de agosto de 2010


As paredes não falam mais comigo
sou um peso morto entre cortinas de sedas
onde foi que deixei meus velhos retratos?
Portas permanecem fechadas por tempo demais
nenhuma luz sobre o mofo dos cantos
onde coloquei meus trocados para o cigarro?
Destravado todos os cadeados e fechaduras
ainda assim minha cama permanece vazia
onde foi que estacionei o carro?
Vidros partidos depois de uma tempestade
nada em cima da geladeira tem brilho
quando foi mesmo que deixei a gaiola aberta?
Móveis empalidecidos em todos os cômodos
papeis voando pela janela aberta
quando foi que meu coração se tornou sombrio?

terça-feira, 3 de agosto de 2010


Lembro-me de tudo tão pouco

que não há lágrimas mais a derramar.

Nuvens de pó e merthiolate

ainda vagueiam por minha mente

interrompendo longas paisagens.

Sento-me na beira da praia

vejo as ondas irem embora,

recordo de fotos envelhecidas

condenadas ao abandono.

Nada mais machuca meus pés

a não ser a ausencia da paixão.

Toco minha face lentamente

ainda tenho as marcas da bebida.

Féu e dor amargaram minhas mãos.

O tempo se tornou meu amigo

ele não me permite correr

Nem pra longe e nem pra fora.

Agora é esperar a argila secar

para que se possa quebrar a estátua

de sal e areia que construi de ti.

domingo, 1 de agosto de 2010


Não sei se há um sentimento

para tão pouco momento.

Se teus olhos perderam meus movimentos

é porque faltou um pensamento,

o desejo de me ter.

Mesmo distantes, há ressentimento,

é pelo excesso de acontecimentos

ou o próprio estranhamento

da direção que tomamos.

Mas nada disso vai importar

pois já se fecharam as portas

e a vontade pediu passagem.

Porém, janelas permaneceram abertas

procurando o luar minguante de janeiro.